Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Apagão






E veio o apagão, falta total de luz elétrica e a noite. Onde estava eu? ainda bem que em casa, e aqui faltou logo assim que caíram os primeiros pingos de chuva, ainda pensei, pronto essa Ampla é uma droga!!! Acabara de passar a roçadeira no quintal e preparava a ração dos pets para tomar um banho merecido, pois o calor ardia.

Depois de culpar a Ampla, eu em seguida fico apreensiva, pois lembro que alguns intrusos da casa alheia tem o hábito de desligar a luz para adentrar e descarto a possibilidade, mas cuido da segurança.

Então relaxo, ligo para a companhia e deixo o registro, eles prometem reparar o problema em poucos minutos. Mas nada...

Lembro que meu "nano laptop" tem 4hs e meia de bateria garantida e vou navegar e na certeza do tempo suficiente para a energia voltar, e nada!! telefono, olho o quintal e só vagalumes piscando, minha filha diz que não retorna e a bateria do laptop acaba.

Pronto!! melhor tentar dormir. A energia retorna por 5min e apaga, desligo tudo novamente, tomo um segundo banho e vou pra cama com meu celular ouvindo a CBN e aí fiquei sabendo que parte do Brasil estava no escuro. Como assim Bial?? Como pode acontecer uma calamidade dessa e em pleno horário de verão, sem nenhum temporal, na Primavera com clima de Alto Verão?? Fiquei perplexa. Lembrei dos elevadores, dos Hospitais, das pessoas nas ruas escuras, das pessoas que em casa estão ligadas a algum aparelho, das grávidas em trabalho de parto, dos acidentes nas estradas, nos semáforos, cruzamentos, do sorvete na geladeira, da água nas torneiras... Cadê o plano "B" ? que se providencie o "C" pois o clima promete.

Agora o problema que fica e se aproveita da situação é a Política, já ouvi dizer até que a Min Dilma será responsabilizada, mas afinal quem é o gestor hoje? culpar o passado pra mim é mais uma desculpa esfarrapada.



@@@@ AH! Agora sim, isso é o Brasil! - Blog Leila Cordeiro
A Playboy sondou a guria do "vestidoapertadoecurto" a posar para a revista, se for verdadeira a nota, é lastimável, vai que ela aceita...rsrsrs

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Será que é falta de assunto...




Uma segunda terça-feira do mês, num dia nublado e quente, que nada lembra a Primavera. Aqui, dando uma espiada nas notícias, nos blogs e a irritação de ver sendo repetido o caso sobre uma aluna de uma certa Universidade, que nem sei quando tudo começou, mas que todas as mídias , jornalistas, programas de TV, falam do episódio de um "vestidoapertadoecurto" onde os alunos criaram esse conflito todo, que babaquice!!! Bem que poderiam se poupar de tamanho MICO, tanto a moça, os moços, a Universidade e os outros estudantes que certamente se envergonham de fazer parte deste cenário. Fala sério!!!




E para melhorar o post e continuar o hábito semanal, segue abaixo a crônica de Martha Medeiros deste último domingo:






Na foto Martha Medeiros



Confie em Deus, mas tranque o carro





Mike Tyson segue na mídia: andou sendo entrevistado pela Oprah e fazendo um mea-culpa por uma vida inteira de desvios de comportamento. Isso me fez lembrar de quando ele foi acusado de estupro pela ex-miss Desiree Washington, em 1991. A moça havia entrado no quarto com ele, de madrugada e, ao que consta, desistiu de levar adiante a brincadeira.
Qualquer pessoa tem o direito de desistir do ato sexual na hora H e o parceiro tem o dever de respeitar a decisão, por mais fulo da vida que fique, mas deixar Mike Tyson fulo não é algo que uma pessoa de juízo arrisque. Na época, a escritora Camille Paglia disse que Tyson errou, logicamente, mas que a moça era uma idiota.
E justificou sua opinião dando o seguinte exemplo: se você estaciona seu carro numa rua escura e deixa a chave na ignição, não significa que ele possa ser roubado. Mas, se for, você foi um panaca. Essa história sempre me volta à cabeça quando começo a ouvir algum “ai de mim”, que é o mantra das vítimas. Fico prestando atenção na história e, quase sempre, descubro que o mártir deixou a chave na ignição.
São os casos de garotas que se deixam filmar nuas pelo namorado e depois descobrem que viraram as musas do YouTube, garotos que dirigem alcoolizados a 140 km/h e acordam no outro dia no hospital, ou artistas que vivem dando barraco em público e depois se queixam por serem perseguidos por paparazzi. Eles devem se perguntar, dramáticos: onde está Deus nessa hora, que não me ajuda?
Está ajudando a encontrar sobreviventes de um tsunami ou consolando quem tem um câncer em metástase, porque esses, sim, são vítimas genuínas: mesmo deixando seus carros bem trancados, foram surpreendidos pelo destino.
“Não há prêmio ou punição na vida, apenas consequências.” Não sei quem escreveu isso, mas está coberto de razão. Sorte e azar são responsáveis por uns 10% do nosso céu ou inferno, os 90% restantes são efeitos das nossas atitudes.
Vale para o trabalho, para o amor, para o convívio em família, para o dinheiro, para a saúde da mente e também do corpo. Reconheço que os governos não ajudam, que certas leis atrapalham, que a burocracia atravanca, que o cotidiano é cruel, e até as disfunções climáticas conspiram contra. Ainda assim, avançamos (prêmio) ou retrocedemos (punição) por mérito ou bananice nossos.
Então, tranque o carro numa rua escura e também dentro da sua garagem, não entre no quarto de um neanderthal se você não estiver bem certa do que deseja, não deixe uma vela acesa perto de uma janela aberta, pense duas vezes antes de mandar seu chefe para um lugar que você não gostaria de ir, não tenha em casa Doritos, Coca-Cola e Ouro Branco se estiver planejando perder uns quilos e lembre-se do que sua bisavó dizia: regue as plantas, regue suas relações, regue seu futuro, porque sem cuidar, nada floresce.
E, por via das dúvidas, confie em Deus também, que mal não faz.



Quarta-feira, Novembro 04, 2009

que medo!!!








Nestes últimos dias tenho lido casos de assassinatos horripilantes nos EUA, pouco sei de Cleveland, mas sei que há algo na memória que no momento não consigo lembrar, e penso que não é coisa ruim...e acabei de ler sobre um louco que cometeu atrocidades naquele mesmo modelo que parece se repetir nos EUA, em Cleveland/Ohio.

O engraçado é que lá como aqui, esses monstros sempre tiveram passagem pela penitenciária antes e fico me perguntando porque arriscaram colocá-los de volta na sociedade. Aqui, até sabemos a resposta, mas nos EUA não pensei que isso acontecesse.

Constato que o mundo está cada vez mais perigoso de se viver, bem que a Ciência deveria se dedicar mais e mais para entender esses comportamentos pra lá de assassinos.

Ah!! como eu tenho medo desses monstros, hoje em dia é assim, se estou num lugar sozinha, digamos caminhando, se vejo um cachorro, não tenho medo, se vejo um búfalo, ídem; se vejo cobra, sapo, coruja, preguiça, nada disso me faz medo; porém se vejo um homem ou até mesmo uma mulher, já fico desconfortável, mantenho uma enorme distância e se for a noite, eu corro!! Outro dia foi assim, saimos eu, minha filha e Monalisa(dog Rottweiler) à noitinha para Mona correr na praia e lá pelas tantas surgiram do escuro duas pessoas vindo em nossa direção, eu nem quis saber se era visão ou o quê, corri pro carro e fomos embora, apesar de confiar na minha pet, não precisava passar por isso nem ela nem nós!! Que mundo cão que me faz ter medo de gente!!!

@@@@ Acabei de encontrar a crônica de domingo (01/11) de Martha Medeiros, então, vamos ao Crtl+...V!!!
A morte como consolo
A ssim como qualquer mortal, eu também esquento a cabeça com questões de difícil praticidade. Teorizar é moleza, mas como agir do mesmo modo que essas supermulheres que a gente vê nas revistas e jornais, sempre bem resolvidas? Você acha que eu sei? Sei nada.Eu também me desgasto com assuntos mundanos, aqueles que nos atormentam dia e noite: sinto ciúmes, me constranjo ao negar convites, às vezes me acho severa demais com minhas filhas, às vezes severa de menos, não consigo ser tão solícita quanto gostaria, me sinto desatualizada em relação a tanta coisa, não sei direito a direção para a qual conduzir minha vida, enfim, coisinhas que nos roubam algumas horas preciosas de sono.Como eu não faço terapia e não posso perder nem um minuto precioso de sono, já que normalmente durmo pouco, resolvi procurar um método pessoal para relativizar meus pequenos grilos cotidianos. E encontrei um que pode parecer macabro, mas está funcionando. Quando estou muito preocupada com alguma coisa, penso: eu vou morrer.Óbvio que vou morrer, todo mundo sabe que vai morrer um dia, mas a gente evita pensar nesse assunto desagradável. No entanto, tenho pensado na morte não como uma tragédia, mas como um recurso para desencanar dos problemas, e então a morte se torna, ulalá, um paliativo: daqui a 40 anos, mais ou menos, eu não vou estar mais aqui. O que são 40 anos? Um flash. Todas as minhas preocupações desaparecerão. Nada do que eu sinto ou penso permanecerá, ao menos não para mim mesma – o que as pessoas lembrarem de mim será de responsabilidade delas. Eu vou evaporar. Sumir. Escafeder-me. Então pra que me preocupar com bobabem? Diante da morte, tudo é bobagem. Recapitulando os exemplos dados no segundo parágrafo: ciúmes? Ouvi bem: ciúmes? De quem, pra quê, se todos irão pra baixo da terra e ninguém sobreviverá pra cantar vitória? Aproveite os momentos que você tem hoje – hoje! – para desfrutar seus prazeres e não pense em perdas e ganhos, isso não existe, é pura ilusão.Os filhos nos amam, mas fatalmente reclamarão de nós um dia, não importa o quão bacana fomos com eles. Ser 100% solícita é coisa pra Madre Tereza. Atualização pode ser importante para o trabalho, mas nem sempre para nosso bem-estar. E, finalmente, seja qual for a direção que você der à sua vida, o que importa é que ela seja satisfatória hoje (repito a palavra mágica – hoje!) porque daqui a pouco você e suas preocupações virarão poeira. Até Ivete Sangalo vai virar poeira.Importantíssimo (me descuidei, deveria ter colocado esse último parágrafo lá no início, mas já que vou morrer, dane-se): se você tem menos de 40 anos, desconsidere todas as linhas dessa crônica. Leve seu nascimento a sério. Antes dos 40, ninguém vai morrer. Essa é a ordem natural do pensamento humano. Pague seus impostos, preocupe-se com a direção que sua vida está tomando, morra de ciúmes, dê-se o direito de todas as cenas passionais e irracionais que incrementam seu script: não se entregue ao fatalismo. Honre o primeiro ato dessa encenação chamada vida.Porém, depois dos 40, apenas divirta-se e não perca tempo se preocupando com bobagens. Vai dar em nada.

"Deu no Blogão"


Tenhos dois minutos para fazer este post, afinal são quase dez horas e um montão de coisa pra resolver e fazer a lista de prioridades.
Hoje como ontém está um dia de verão, um calorão que só, previsão para máxima de 32graus. Depois de três meses com dias alternando chuva e sol, hoje já estou aqui diante do ciculador, pois já suava às bicas.
Hoje o Agnaldo Silva(novelista e escritor) estará na Livraria da Travessa na Barra/RJ no lançamento do seu mais recente livro,"Deu no Blogão", às 19.30hs. Parabéns pra ele, mesmo não sendo noveleira, adoro ler seus posts no blog. Mais detalhes:http://bloglog.globo.com/aguinaldosilva/
E por fim, vim aqui para deixar a crônica do domingo de Martha Medeiros, A morte como consolo, mas não a encontrei para fazer o ctrl+C, fica para depois, pois quero deixar gravadas as preferidas para ler e reler várias vezes!!!

Sábado, Outubro 31, 2009

Vá a 60Km!!! e volte tranquilo.

Mais um fim de semana prolongado, Dia de todos os Santos(01-11) e Finados (02-11)
Foto P.Arpoador/Wilma


Republicando...

A ARTE DE SER FELIZ (Eda Fagundes)



A felicidade parece ser campeã unânime no ranking de desejo das pessoas independente de raça, cultura, condição financeira, em diferentes épocas e nos mais diversos cantões do País e do Planeta, no fundo o que queremos é ser felizes.


Alvo cobiçado por todos e conquistado por tão poucos, nos leva a refletir sobre as questões que estão envolvidas na obtenção desse sentimento, estado de alma e de espírito.
É preciso urgentemente percebermos que idealizamos demais o que é a felicidade e desde pequenos estamos acostumados a vê-la como algo que está localizado no futuro e que virá ou não. O que não estamos acostumados é a agir de forma a construir os estados emocionais que vão acompanhar os acontecimentos de nossas vidas.
Não sabemos o que o futuro nos reserva, pouco ou nenhum controle temos sobre isso, mas a maneira como vamos absorver os acontecimentos, o tamanho dado a eles, depende de nós. Esse é o verdadeiro poder. A construção da felicidade se dá no tempo presente e depende em grande parte de nossas atitudes e tomada de posições na vida.
Custamos muito a entender que a felicidade pode estar no real e que os sonhos e fantasias construídos ao longo da vida podem não ser realizáveis na forma idealizada.
Quando crianças pequenas achamos que seremos felizes quando aprendermos a ler; quando lemos, a felicidade está quando acabarmos o curso fundamental; quando acabamos, quando será o primeiro amor; quando amamos quando casaremos, nos formaremos, teremos família e de preferência com lindos e heróicos maridos, casinhas com flores na janela, romance no ar o tempo todo, filhos perfeitos e educados, olhares lânguidos e paixões avassaladoras.
A vida real precisa ser vista como é: dinâmica, com coisas boas e ruins, altos e baixos, assim como todos os outros fenômenos da natureza. Aliás não há nada que só tenha um lado e jamais encontraremos a plenitude negando o lado negativo ou desagradável das circunstâncias.
A vida é agora. Está aí para ser vivida e saboreada, sem culpas desnecessárias e medos imaginários. A dica é curtir o caminho, porque a sensação de que a felicidade está na chegada é a mais cruel das ilusões. Olhem em volta, aproveitem o momento, busquem sempre o que lhes cause bem-estar e sensação de leveza e, nos momentos difíceis, tenham a certeza de que o movimento da vida é ondular. Portanto, tudo é transitório.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

como escolher o melhor caminho










"A vida nos apresenta novos desafios, se esses desafios irão lhe derrotar ou levar-lhe a grandeza, é você quem decide".



...espere aí, que vou ali vencer mais um desafio, vou ali na selva de pedra... e volto pra complementar o post mais tarde.
Voltei sã e salva, graças!!!
...e vinha falando de caminhos, escolhas, tudo porque tenho visto muita gente perdendo a cabeça por motivos que eu nao consigo compreender. Ontem mesmo vi uma cena de um casal bem jovem que me deixou nervosa, o rapaz louco e a moça não conseguia se livrar dele, se fosse a noite ela seria mais uma na estatística, pois o moço estava descontrolado.
Sempre digo pra minha filha que não entendo porque os jovens de hoje se drogam, não todos, claro, brigam onde deveriam se divertir. E ela tem lá umas explicações.
E eu continuo dizendo que na minha época era tudo diferente. Sempre fui uma adolescente e jovem careta, graças!!! Cigarro peguei só para fazer pose, nunca traguei, tinha até medo; bebidas alcoolicas em casa tinha alguns licores e quando descobri que eles poderiam prejudicar meus neurônios e me dominar, deixei de lado; baseado ou maconha nunca experimentei, até porque naquela época era coisa de gente de péssima reputação, maconheiro era como traficante, um cancer social. E as outras drogas que se ouvia falar era coisa de artista, ricos, astros populares, não era para um simples mortal. Nunca tive a menor curiosidade pelas drogas lícitas ou não, sempre gostava de ouvir conselhos dos mais velhos e queria revolucionar a minha vida com boas leituras, boas músicas, conhecimento, tempo e persistência. Tinha minhas angústias, minhas paixões, minhas dúvidas, mas nada que me tirasse do caminho que eu acreditava ser o que me daria dias melhores, mesmo que demorasse muito, a escolha estava feita.
Algumas pessoas cruzaram meu caminho querendo me desviar, até lembro de um cara quando fazia vestibular, um belo dia, ele veio com uma conversa que nem sei como começou e de tão ingênua e determinada, na ocasião acreditei mesmo que ele estava apenas me testando, dizia ele, pra saber seu eu aceitaria "droga" ou sei lá o quê. Ele insistiu tanto e depois disse que estava apenas me testando. Ordinário e Covarde!!! anos depois o encontrei no restaurante do Banco do Brasil, com áquele olhão arregaladão vermelhão e não conseguiu ficar a vontade quando me viu e ali que a ficha caiu pra mim. Oooh!! Hoje eu entendo quando dizem que o traficante é áquele que pode está bem perto de você, do seu filho...pois ele fingia ser meu amigo, mas na verdade ele estava ali pra isso, depois da minha determinação em nem querer saber daquela "Droga" ele ou fui eu que me afastei...
E se eu não tivesse feito a escolha certa, hoje talvez não estivesse aqui feliz da minha vida e livre e ele onde estará, nem o nome dele eu lembro...e isso faz mais de trinta anos!!! e sempre conto pra minha filha esta história.
Tudo isso lembrei depois de descobrir o blog do Dr Jô Furlan, Treinador Comportamental, essa profissão eu ainda não conhecia, segundo ele a uma certa altura da vida deixou de tratar de doenças e passou a ajudar as pessoas a fazerem mais por elas mesmas e terem melhor qualidade de vida. Interessante.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Caricatura da realidade




Neste último domingo apesar de não ter comprado o jornal, li a crônica de Martha Medeiros on line e veio de encontro ao que vinha comentando aqui com a minha filha sobre a novela Viver a Vida, nos primeiros capítulos fazia questão de assistir pois as cenas externas são bonitas e a atriz Taís Araújo está tão bem no papel que queria acompanhar o seu trabalho, mas com o passar dos dias foi me dando uma agonia, uma falta de paciência, um desinteresse e pensei realmente não consigo assistir novela nenhuma!!! E eis que o texto abaixo explica muito bem, eu também gostaria que as novelas dessem mais ibope para atitudes mais adultas e revelassem mais o lado sadio das relações humanas dignas de exemplos, ou será que aí deixaria de ser novela???




Parabéns Martha Medeiros, nada como saber escrever tão bem!!!!!




"...sei que uma novela é apenas uma caricatura da realidade, mas não posso deixar de reparar que a maioria dos personagens não parece ter mais do que 16 anos. Irmãos marmanjos correm pela casa para bater um no outro. Um advogado persegue a prima da esposa e, para "pegá-la", vive se escondendo atrás das portas ou no banco de trás do carro, provocando gritinhos histéricos na moça, que é jornalista especializada em economia. Esse mesmo advogado outro dia foi corrido pela personagem da atriz Maria Luiza Mendonça, que o perseguiu pelo escritório com um taco de golfe nas mãos. Alinne Moraes não caminha: saltita. Lilia Cabral interpreta uma mulher que não tolera cinco minutos de solidão e só pensa em dar o troco no ex-marido que a largou. Giovanna Antonelli e a filhinha parecem ter a mesma idade. Taís Araújo e José Mayer curtiram a lua de mel num carrossel em Paris. Búzios também parece um parque de diversões, onde se anda de conversível com os braços pra cima, como numa montanha-russa. Imagens lindas, mas é novela das oito mesmo? Não é Malhação? Não faz tanto tempo assim, pais e filhos não se vestiam igual, fofocas maliciosas não faziam parte das conversas de gente grande, as relações não eram descartáveis como latinhas de refri, envelhecer não parecia tão trágico, não havia tantos brinquedinhos tecnológicos para maiores de idade, e os papéis eram mais bem definidos: crianças e adolescentes tinham o direito de brincar e se divertir, enquanto os adultos colocavam ordem no galinheiro. Piorou? Não. Acho ótimo que possamos ser joviais e divertidos até os 100 anos, mas é bom ficarmos atentos para não cair na cilada de achar que só os imaturos sabem viver a vida. Manoel Carlos tem fama de escrever novelas realistas e está fazendo exatamente isso. Tempera todas as cenas com muxoxos, beicinhos, chiliques, deslumbramentos, birras e flertes, escancarando uma fatia da sociedade que parece não saber mais se comprometer, nem trocar ideias sem agredir, nem aceitar o sofrimento. Uma das exceções é a personagem da atriz Lica Oliveira, que faz a charmosa mãe da Helena e que demonstra ter abandonado faz tempo o jardim de infância, esbanjando elegância e bom senso. É novela, criatura!!Eu sei, eu sei. E é possível que essa infantilização seja uma estratégia para contrastar com o dramalhão que vem pela frente. Mas não custa refletirmos sobre o que parece bobo, mas não é: o desprestígio da maturidade nos tempos atuais. Sei que, no fundo, somos todos crianças grandes, só que não dá pra perder a compostura e sair atrás de quem nos enerva com um taco de golfe nas mãos. Viva a espontaneidade juvenil, mas nosso lado adulto merece continuar com algum ibope.