quarta-feira, outubro 28, 2009

Caricatura da realidade




Neste último domingo apesar de não ter comprado o jornal, li a crônica de Martha Medeiros on line e veio de encontro ao que vinha comentando aqui com a minha filha sobre a novela Viver a Vida, nos primeiros capítulos fazia questão de assistir pois as cenas externas são bonitas e a atriz Taís Araújo está tão bem no papel que queria acompanhar o seu trabalho, mas com o passar dos dias foi me dando uma agonia, uma falta de paciência, um desinteresse e pensei realmente não consigo assistir novela nenhuma!!! E eis que o texto abaixo explica muito bem, eu também gostaria que as novelas dessem mais ibope para atitudes mais adultas e revelassem mais o lado sadio das relações humanas dignas de exemplos, ou será que aí deixaria de ser novela???




Parabéns Martha Medeiros, nada como saber escrever tão bem!!!!!




"...sei que uma novela é apenas uma caricatura da realidade, mas não posso deixar de reparar que a maioria dos personagens não parece ter mais do que 16 anos. Irmãos marmanjos correm pela casa para bater um no outro. Um advogado persegue a prima da esposa e, para "pegá-la", vive se escondendo atrás das portas ou no banco de trás do carro, provocando gritinhos histéricos na moça, que é jornalista especializada em economia. Esse mesmo advogado outro dia foi corrido pela personagem da atriz Maria Luiza Mendonça, que o perseguiu pelo escritório com um taco de golfe nas mãos. Alinne Moraes não caminha: saltita. Lilia Cabral interpreta uma mulher que não tolera cinco minutos de solidão e só pensa em dar o troco no ex-marido que a largou. Giovanna Antonelli e a filhinha parecem ter a mesma idade. Taís Araújo e José Mayer curtiram a lua de mel num carrossel em Paris. Búzios também parece um parque de diversões, onde se anda de conversível com os braços pra cima, como numa montanha-russa. Imagens lindas, mas é novela das oito mesmo? Não é Malhação? Não faz tanto tempo assim, pais e filhos não se vestiam igual, fofocas maliciosas não faziam parte das conversas de gente grande, as relações não eram descartáveis como latinhas de refri, envelhecer não parecia tão trágico, não havia tantos brinquedinhos tecnológicos para maiores de idade, e os papéis eram mais bem definidos: crianças e adolescentes tinham o direito de brincar e se divertir, enquanto os adultos colocavam ordem no galinheiro. Piorou? Não. Acho ótimo que possamos ser joviais e divertidos até os 100 anos, mas é bom ficarmos atentos para não cair na cilada de achar que só os imaturos sabem viver a vida. Manoel Carlos tem fama de escrever novelas realistas e está fazendo exatamente isso. Tempera todas as cenas com muxoxos, beicinhos, chiliques, deslumbramentos, birras e flertes, escancarando uma fatia da sociedade que parece não saber mais se comprometer, nem trocar ideias sem agredir, nem aceitar o sofrimento. Uma das exceções é a personagem da atriz Lica Oliveira, que faz a charmosa mãe da Helena e que demonstra ter abandonado faz tempo o jardim de infância, esbanjando elegância e bom senso. É novela, criatura!!Eu sei, eu sei. E é possível que essa infantilização seja uma estratégia para contrastar com o dramalhão que vem pela frente. Mas não custa refletirmos sobre o que parece bobo, mas não é: o desprestígio da maturidade nos tempos atuais. Sei que, no fundo, somos todos crianças grandes, só que não dá pra perder a compostura e sair atrás de quem nos enerva com um taco de golfe nas mãos. Viva a espontaneidade juvenil, mas nosso lado adulto merece continuar com algum ibope.

2 comentários:

NUMEROLOGIA E PROSPERIDADE disse...

Maravilha o seu cantinho.
Na intenção de divulgar o meu trabalho, cheguei até você.
Gostei muito do seu espaço.
A Thaís é linda, maravilhosa. Eu não estou podendo ler tudo de uma vez porque a tela do computador atrapalha um pouco a minha visão, mas certamente voltarei mais vezes. O meu oftamologista pediu que desse um tempo da telinha... e eu sou fraca ?
O meu território já está demarcado.
Convido a dar uma espiada em "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER.." ( o seu cantinho de leitura), em:
http://www.silnunesprof.blogspot.com
Terei sempre uma história para contar.
Saudações Florestais !

Beth/Lilás disse...

Ah, que bom minha amiga vc tocou no assunto, pois eu já estava me coçando!

Bom, depois daquela "are Baba" que assiti toda, mais por interesse nas locações e saber mais do estilo de vida de um povo. Mas, jurei que não mais ligaria a tv neste horário, principalmente para novelas ambientadas no RJ que a gente sabe de pé junto, não retrata verdadeiramente a vida do carioca que trabalha e quase nada curte das belezas naturais. Vejo isso até no dia a dia dos blogs que visito, pouca gente viaja, pouca gente curte o que uma cidade como esta oferece, talvez mais pela violência que nela impera atualmente.

Mas, ontem, na casa de minha mãe, foi inevitável, vi junto com ela ao capítulo desta novela e fiquei pasma em constatar que o tal homem que vi no início casando-se com a bela Tais Araujo e que é modelo na novela, agora estava no maior pega com umazinha e que tirava até a calcinha dentro do mar. Logo em seguida uma guriazinha aparece conversando com ela e ela era mãe da menina. Enquanto isso, a mulher dele andava sozinha num lugar lindo e distante (acho que Egito, né) com um bonitão atra´s dela, perdida numas ruínas.
Quanta coisa irreal!
Pera lá, são esses os valores de nosso povo?
Pra quem essa gente escreve novelas?
Nossos homens são todos uns tarados e traidores e nossas mulheres fáceis e galinhas?

Não vale a pena, Vivi!

Adorei mais esta crônica da MM, ela fala aquilo que nós gostaríamos e usa seu espaço para nos dar voz.
Valeu!

grandes beijos cariocas