quinta-feira, dezembro 10, 2009

"...Isso é coisa mais para juventude da City."

Minha foto do S.Itaipu-Niteroi-RJ

DRIVING HOME FOR CHRISTMAS
(ali à direita é possível acompanhar a música, clicando no vídeo, é minha música preferida para esta época, e descobri porque, ainda não aprendi a letra...rsrsrs)



I’m driving home for christmas
Oh, I can’t wait to see those faces
I’m driving home for christmas, yea
Well I’m moving down that line
And it’s been so long
But I will be there
I sing this song
To pass the time away
Driving in my car
Driving home for christmas
It’s gonna take some time
But I’ll get there
Top to toe in tailbacks
Oh, I got red lights on the run
But soon there’ll be a freeway Get
Get my feet on holy ground
So I sing for you
Though you can’t hear me
When I get trough
And feel you near me
I am driving home for christmas
Driving home for christmas
With a thousand memories
I take look at the driver next to me
He’s just the sameJust the same
Top to toe in tailbacks
Oh, I got red lights on the run
I’m driving home for christmas, yea
Get my feet on holy ground
So I sing for you
Though you can’t hear me
When I get trough


And feel you near me

Driving in my car

Driving home for christmas

With a thousand memories


@@@@@@@

Mas deixando o Natal, quero mesmo falar de um livro do jornalista César Tralli, Olhar Crônico, edição de 2001, onde ele fala de lugares onde viveu por algum tempo, como por exemplo Londres, ele conta os aspectos da vida por lá sem cair no tema comum, fala da Espanha, Líbano, Israel, Ucrânia, Turquia...

Vou copiar aqui um dos textos, é longo, (vem o final de semana...) para quem gosta do assunto vai ler rapidinho, pois o escritor não nos deixa parar antes do final.

APRENDIZADO DE RICO

Os apaixonados por grife e compras em NY que me perdoem, mas um pouco de cultura européia é fundamental!!!

Uma grande parcela de nossa elite devia fazer estágio de boas maneiras no velho continente. Aprender a doce lição de como ser elegante e ao mesmo tempo discreto. Com isso, quem sabe, depois, deixar no armário aquela necessidade quase doentia de aparecer, de se fazer presente, de se mostrar dos pés à cabeça... E olha que deste mal de aparecidos e emergentes nós padecemos feio.

Na Inglaterra, aprendi que existem dois tipos de rico. O primeiro é aquele que você não vê porque ele literalmente se esconde. É o rico que habita castelos, palácios medievais e mansões no campo. Residências geralmente cercadas de amplos jardins floridos, que sutilmente proporcionam privacidade. Trata-se, pois, de uma fina flor que valoriza o silência e a natureza, que só sai de casa para ir ao trabalho e frequentar as rodas abastadas de uma aristocracia invisível à maioria dos mortais. São os conhecidos top of the milk, crème de lá crème... Ou seja: é rico até para inglês não vê!!!

O segundo tipo de milionário é aquele que mora na cidade, pode estar no seu bairro, ser um dos vizinhos, mas você não o nota porque é ele, o próprio rico, que não sente a menor necessidadede de sair por aí mostrando a todos que tem os bolsos recheados. É um sujeito tão consciente de sua riqueza, de sua condição privilegiada, que não dá bola pra status. Não precisa de status para ser feliz (ou fingir que o é) e sentir-se valorizado. São ricos que simplesmente dispensam esse mundo cínico do show off que as elites dos trópicos cultivam como uma espécie de alimento para a autoafirmação. Como diz um amigo sociólogo, sofremos da terrível síndrome do "quero ser o americano amanhã". É a cultura do consumismo em excesso. E dos valores, da essência, em falta...

É desse segundo tipo de rico que falo um pouco agora, pois sua maneira de pensar e de agir, seu comportamento, é tão diferente do jeito de ser dos endinheirados daqui que eles merecem mais algumas considerações e elogios. E é bom deixar bem claro logo de início que as comparações em questão não envolvem saldo bancário, fortunas aplicadas em paraísos fiscais ou investimentos em bolsa...de valor (não Louis Vuitton). Vamos partir do princípio que são ricos do mesmo calibre, até porque se formos entrar neste mérito dos cifrões e das casas decimais, temo que os ricos daqui sejam bem mais criativos que os anglo-saxões.

Registrada a ressalva, as differenças já são nítidas no modo de vestir. O inglês rico (e isso se aplica à boa parte dos outros europeus da mesma estirpe) busca a elegância sem a intenção de desfilar etiqueta. É um rico que não acha sensato nem inteligente sair vestido de grife dos pés à cabeça. Bolsa francesa da marca X, calça italiana do costureiro Y...e relógio suíço de ouro daquela outra marca que brasileiro, de empresário a bicheiro, adora ter no pulso. Os abastados de lá têm aversão a peças de roupa e acessórios cujas etiquetas (tão veneradas podem ser pelos daqui) podem ser percebidas de longe. São desproporcionais em relação ao produto, a tal ponto que em determinadas bolsas, blusas, fivelas de cinto, etc., a marca consegue chamar mais atenção do que o acessório em si (não seria este o verdadeiro propósito?). É quase uma aberração. Para aparecer mais, só falta à etiqueta ter um bordado de luz néon e piscar à noite como entrada de motel. Ou, quem sabe, conseguir fosforescer no escuro. Aviso aos fabricantes: prometo não cobrar royalties pelas "brilhantes" idéias.
"Pra que gastar tanto dinheiro querendo aparecer?" pois é assim que pensa a maioria dos ricos britânicos. Desde os tempos em que era dama-de-ferro e toda-poderosa, Lady Thatcher até hoje faz compras de roupas (íntimas também) na loja de departamentos. Marks and Spencer, famosa por oferecer qualidade a preços honestos.
Li artigos sobre endinheirados que faziam questão de dizer que só entravam em lojas de grife nas curtas temporadas de liquidação de inverno e verão, quando então dava para "adquirir qualidade sem se sentir assaltado". Com carros, a marca preferida de muitos milionários ingleses também é a discrição. Um dos jornais publicou que sete em cada dez ricos dirigem carros médios, fabricados para a classe média. E nada de trocar de veículo todo ano: no mínimo de dois em dois, responderam os entrevistados.
Repare que diferença. Lá, eles jamais teriam que apelas para os blindados ou deixar de usar carrão por causa do pânico de sequestro ou assalto. Não o fazem por opção. Por estilo de vida. Mas alguém pode perguntar: a Inglaterra não é o berço de algumas das mais famosas marcas de carro de luxo? Lancei a pergunta a um empresário inglês, muito bem de vida por sinal. Ele respondeu: "Algumas dessas marcas vendem muito mais para exportação do que para o mercado interno." Aliás, ele mesmo dirigia um carro médio da Ford, com dois anos e meio de uso. E olha que ele tinha todas as condições financeiras para andar em um desses carrões de parar o trânsito no Brasil.
Então, por que não?
-Prefiro gastar com viagens, bons vinhos, restaurantes e fazer poupança para os meninos. Gosto de conforto, óbvio. Mas, sinceramente, não sinto essa necessidade de ter status sobre rodas. Isso é coisa mais para juventude da City.
Ele se referia aos novo-ricos do centro financeiro de Londres. Não é mesmofácil diferenciar o rico de uma pessoa de classe média, seja no trânsito ou nas calçadas de Londres. Nem pela fachada das casas essa distinção é clara. Tanto é verdade que nas poucas ruas de mansões suntuosas no bairro de Hampstead, os moradores são na sua maioria magnatas árabes do petróleo, comerciantes emergentes do Leste europeu que desembarcaram na Inglaterra com malas de dinheiro, de origem duvidosa. Havia casos até de banqueiros e ex-ditadores africanos. Agora, inglês da gema...pouquíssimos.
O endereço de um autêntico inglês rico é feito ele: uma coisa por fora, outra por dentro. As residências não chamam a atenção. Nem no tamanho, nem no acabamento externo. Os sinais de refinamento estão nos detalhes internos. Móveis catalogados, tapetes de pura seda, bibliotecas, esculturas de bronze e pinturas renascentistas emolduradas em fina folha de ouro. Os ricos são fascinados por arte. É o tipo de riqueza que dá gosto de apreciar. Eles valorizam a cultura, o passado, a história... Não tem apenas saldo bancário batendo nas nuvens. Têm gosto refinado. E são adptos da filosofia de investir sempre em educação e cultura. São pessoas que lêem muito, que viajam muito, que frequentam teatro, cinema, que vão a concertos, a galeria de arte, visitam exposições e não raro contribuem para a manutenção de museus, centros culturais e orquestras.
Para a elite inglesa, a maior das riquezas jaz na cabeça. Eis o grande diferencial. Daí um certo desprezo pelo efêmero. Por grife e etiqueta. Eles prezam, isto sim, é conteúdo. Falam bem, sabem articular as idéias com sabedoria e clareza, dominam muitos assuntos e detestam toda forma de desperdício.
As gerações mais velhas conheceram os anos difícieis da Segunda Guerra Mundial. Nem os ricos escapam. Todos sentiram na pele os tempos de economia de guerra, de racionamento e escassez de comida. E a maioria tratou de passar aos filhos a lição tirada daqueles tempos de sacrifício: o dinheiro não aguenta desaforo.
O bom dos abastados ingleses é que, ao contrário dos nossos, eles usam o capital primeiro para adquirir inteligência, e só depois (bem depois) para comprar status ou cultivar aparências.
Quando uma elite age dessa forma, a base da pirâmide também sai ganhando...

O autor:
CESAR TRALLI, nasceu em São Paulo, tinha 30 anos quando escreveu o texto (2001), é jornalista. Atuou em jornal, rádio e TV. Foi correspondente internacional em Londres pela rede Globo de 1995 a 2000. Ganhou prêmio Embratel de Jornalismo na reportagem investigativa sobre obras superfaturadas na prefeitura de São Paulo, gestão Paulo Maluf.
Há dez anos, eu gostava das reportagens do jornalista, hoje não tenho acompanhado sua trajetória e nem sei por onde ele anda atuando, fiz uma busca rápida e me pareceu tudo meio lusco-fusco. Desejo e espero que ele continue com a essência londrina no que de melhor mostrou em seu artigo acima.

4 comentários:

Beth/Lilás disse...

Também nunca mais vi o Traller e olha, já novinho, escrrevia muito bem e tinha um olhar perspicaz sobre esta natureza do humano.

Eu percebi tudo isso em Londres, sinceramente, estive em NY no início do ano, mas entre um lugar e o outro há uma laaaaarga diferença e é puramente cultural, é visível, sentimos a educação reinar e mesmo com tanta gente estrangeira pra lá e pra cá, o inglês, quando os vemos, são diferentes, educados e com grande senso de humor o que evidencia sua capacidade intelectual mais avançada do que os norte americanos e outros povos.

Concordo com tudo que o Tralli enumerou e participo da idéia de que discreção é um bem maior que coisas materiais, pois quem realmente tem não vie se mostrando.

Quando vc chega no aeroporto daqui do Rio é que vc vê coo os brasileiros estão anos luz desses povos, pois no Free Shopping a baixaria já começa. É um tal de encher carrinhos de whisky, gritar pra mulher que está lá noutro canto que a Victoria Secret está com desconto num batonzinho e uma doideira para comprar produtos de marca e terminar com o restante de euros que voltam nas carteiras.

Eu fico boquiaberta!

bjs cariocas

Magui disse...

Eu não conheci a música de natal.Eu também gosto de mts músicas e sei que é pq não sei a letra.Seu toque de humor foi ótimo.

Qt ao trecho do tralli, permita-me discordar: Esse cara é um espertalhão que não respeita os colegas, não tem ética profissional.Pelo texto que vc reproduz vê-se o pq.Ele é um aculturado que odeia sua terra e sua gente.Comparar o brasileiro com o inglês é uma ofensa indigna para o primeiro seja em que parâmetro for.A menos que ele não conheça a história.

Jamile Constança disse...

Adorei o texto mãe, vc comprou o livro ?

beijos..

tá vendo pq q eu quero ir pra lá...

Wilma disse...

Magui, a conduta pessoal do C.Tralli desconheço, mas comparando ou não é sempre bom conhecer outros modos de viver,independente da história que se tenha, ou será que teremos q ficar condenados a viver de aparências, querendo ser o que não somos...ou seja, roubando e dizendo que foi pra comprar panetones, injetando botox pra omitir a idade, comprar um carrão, apartamentão e preferir morrer a voltar ser mais modesto, que sofrimento!!! O texto Aprendizado de rico não quis comparar o incomparável, mas mostrar uma faceta londrina que é admirada por muitos. Porém, sua opnião está respeitada.