quinta-feira, março 04, 2010

Bibliófilo José Mindlin e seu amor aos livros



"José Mindlin foi um gigante da cultura brasileira. Como todo grande homem, deixa um grande legado, que é a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, o resultado de uma vida dedicada aos livros, que por sua generosidade hoje é um patrimônio de todos os brasileiros." Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

Semana passada todas as mídias lamentavam a morte deste homem de vida longa e paixão pelos livros, eu que por falta de atenção ou oportunidade nunca o tinha percebido, e ele é um dos membros da Academia de Letras. Morreu em 28 de fevereiro, aos 95 anos de uma vida feliz, como ele costumava dizer, que só fazia tudo com alegria, foi advogado formado pela USP e empresário fundador e Presidente  da Metal Leve SA. e dono da maior Biblioteca privada do país com 45mil volumes entre livros e outros,  que iniciou quando tinha apenas 13anos. Esta foi doada em 2006 a USP.
Bibliófilos são chamados áqueles que tem paixão e perdição por livros. E segundo os entendidos a relação dos "homens" com os livros passa por três estágios:
Primeiro, os homens pensam que conseguirão ler um número de livros maior do que de fato é possível.
Num segundo estágio, consequência imediata do primeiro, passam a desejar ter em mãos o maior número possível de obras dos autores de quem gostam.
Num terceiro momento, já siderados, surgem o interesse pelas primeiras edições, geralmente raras, e a atração pelo livro como objeto de arte. Esta última fase é definida pelo mais célebre bibliófilo brasileiro, o empresário paulista José Mindlin, como perdição. "Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido", confessa Mindlin. A patologia – doce patologia – está instalada em definitivo.
(O texto foi baseado em http://bibliomanias.no.sapo.pt/Mindlin.htm)

Pois, fiquei logo no primeiro estágio e mal, pois tenho sim amor aos livros mas infelizmente leio pouco, gostaria de ser como algumas pessoas, que numa tarde de domingo ou qualquer pedacinho do dia conseguem ler um livro inteiro, tenha ele centenas de páginas ou mais. Foram raros os livros que peguei e numa sentada só, levantei após a última página, foram poucos, mas inesquecíveis, e por esses eu tenho meu amor declarado aos livros.
Porém, já passei pela sensação de chegar numa boa livraria, pegar um, dois, três...abrir, folhear, ler uma frase, a dedicatória, e ficar com áquela sensação doída que nunca, nunquinha saberei tudo que contém de bom em cada livro daquele montão diante dos meus olhos.
Muito antigamente, ia um senhor todo mês a minha sala de trabalho, ele era do círculo do livro, vendia livro sobre encomenda numa revistinha, comprava mais na intenção de que quando ficasse mais velha teria tempo para lê-lo, pois, acreditem, passaram bem uns 25anos e ainda tenho um exemplar do autor que apreciava, Rubem Braga, cujo título é Ai de ti Copacabana, que nem o plástico foi tirado até hoje!!! que vergonha confessar, esse bem lembro porque tive um texto escolar do mesmo autor que eu nunca me esqueci, assim começava: "...o cajueiro já devia ser velho quando nasci, no alto do morro o balançar das folhas ...vixe!!! esqueci, é quase assim.
Deixo, então,  para quem me ler foto de  um exemplar dos meus amores, bem velhinho, amarelado, sujinho (apesar que ele fica com papel filme-nem sei se é nocivo), ele é de 1940, edição 504, o original era Alemão e foi traduzido para o Brasil e Portugal por Marina Guaspari, Editora de Porto Alegre Barcellos e Bertaso e Cia., e no seu primeiro parágrafo está assim:
"É uma noite invernosa. Uiva a tormenta em redor da choupana. Sob a fúria do vendaval, geme a ramagem das árvores gingantescas, que, aqui e acolá, os homens deixara de pé, e estremece a choça primitiva cujo telhado escuro, resguardado pelos troncos anosos, protege uma pobre família contra as intempéries. Porém os moradores da choupana estão habituados a êsse fragor; já nem o percebem. O trabalho fatigante da véspera esgotou-lhes as fôrças; pais e filhos dormem profundamente."
Último parágrafo na página 474, o fim.
"Nunca mais, depois de Abraão Lincoln, se agrilhoou um inocente. Desde que ele viveu, lutou e caiu, todos os homens a quem Deus dá vida nascem livres, por força da lei."

LINCOLN por EMIL LUDWIG


"Acho possível que um indivíduo contemplando a terra se torne ateu. Porém, parece-me inconcebível que esse mesmo indivíduo ao contemplar o céu, possa dizer que o mundo não tem um Criador" - Abrahão Lincoln

3 comentários:

Beth/Lilás disse...

Pois é, Vivi, conheci o fantástico senhor um pouco antes da morte dele, uma amiga blogueira nos apresentou-o através de post muito bem feito.
O homem foi um verdadeiro baluarte da nossa pátria. Ainda bem temos a honra de tê-lo como nosso conterrâneo.
bjs cariocas

Wilma disse...

...e eu não tive oportunidade de ler o post, perdi de saber sobre ele ainda vivo.

Magui disse...

Eu li sobre este senhor e sua morte na net mas como não sou paulista não o conhecia. Teve uma grande vida.