Está difícil de não se sentir em luto por tantas tragédias que se abatem a tantas pessoas por várias partes do mundo, por várias causas e intempéries. Cada dia uma supera a outra, quando penso que já vi situações tristes demais, logo vem outra surpreendentemente mais aterrorizante. Vem do céu, da terra, pelo ar e das mentes insanas. Às vezes páro pra pensar e me colocando no lugar de umas dessas pessoas que de um momento pro outro, tem que abandonar o seu lugar mais seguro, a sua casa, olhar pra tras e ver tudo destruído, absolutamente tudo, da escova de dente, aos documentos, aos bens materiais e muitas vezes nem encontrar mais o solo em que pisava, sem falar nos entes queridos que sumiram e me vejo perdida. Ontém vinha no ônibus pensando sobre isso e ter a dimensão dessa dor alheia tira até a minha alegria. Fico pensando por quê, justamente um país tão organizado, um povo admirável pela sua educação, com comportamento exemplar, e digo isso porque como já contei aqui, tenho um amigo japonês que o conheci numa viagem a Bolívia, o recebi em meu apartamento, saia pra trabalhar e ele foi um exemplo de respeito a tudo, usava o telefone, tudo, com a maior dignidade. Acabei de receber notícias dele e ele está bem juntamente com seus familiares. Mas voltando ao que dizia, fico me perguntando por quê certos povos, certas pessoas passam por momentos tão, tão, mais tão sofridos?...Não que países desorganizados, etc mereçam passar por isso, lógico que ninguém deveria passar por uma coisa dessas: ver suas casas sendo arrancadas, carros voando, o chão se abrindo, o ar ameaçado, e você ver tudo isso e sobrevivendo. É desesperador. Porém, aos que sobrevivem a Esperança, se há vida tem que haver Esperança de dias melhores. Mas é muito triste. Penso nas pessoas que sofreram as chuvas da Serra e tenho certeza que muitas ainda hoje, passados os dois meses, carregam a cicatriz, se não a dor mesmo, pois grande parte não teve como refazer sua vida em tão pouco tempo. Pior saber que áquilo que não se perdeu com a tempestade, foi roubado por criaturas que pra mim são monstros, que não conseguem respeitar o seu semelhante nem num momento desse; e isso tenho lido, que lá no Japão não acontece, lá a sua dor é respeitada, lá as pessoas são mais que humanas, lá eles irão mostrar ao mundo, quão determinados são, lá tenho certeza, em pouco tempo estarão se recuperando e os sobreviventes com uma vida DIGNA novamente, apesar das marcas, das perdas de familiares, amigos...



3 comentários:
Que post legal o seu. É realmente muito triste o que aconteceu lá no Japao. Eu tenho um grupo que formei aqui na empresa de pessoas internacionais e tem uma menina japonesa, ja confirmei com ela, e a familia dela esta td bem. Mas tenho um amigo brasileiro casado com uma japonesa (tb fazem parte do meu grupo intercultural), mas a famila dela morava em Sandai. Ninguem consegue em entrar em contato com eles, e td isso é muito triste, tb roubou a minha alegria. Ando preocupada com a situaçao, mas nao ha nada que posso fazer, alem de orar e pedir a Deus, e mostrar interesse na dor deles e tentar ajudar passando amor.
Abraços
Oi Wilma, o clima por aqui está muito triste (obviamente). Mas, após uma semana de desesperos dos japoneses, vamos nos lembrando que a vida segue.
Obrigada pelo seu comentário no meu blog e, aproveitando que estou aqui, gostaria de pedir autorização para inserir o link desta sua postagem no meu blog onde escrevi o post: O terremoto no Japão e eu.
Bj
Olá, vim retribuir a visita!
É realmente lamentável o que essas pessoas estão passando , mas creio que o Japão é uma nação que aprende com seus erros e, a partir daqui, tomará o máximo cuidado para evitar que tal devastação se repita e, felizmente, o mundo todo está sensiblizado e enviando ajuda.
Gostei do seu comentário lá no blog, pois a discordância de idéias é essencial para gerar discussão, que é o objetivo do blog, para que mais idéias sejam trocadas. Irei transcrever aqui a minha resposta ao seu comentário lá no blog:
"Gostaria de responder à Wilma: eu tenho conhecimento, sim, de que há vários Brasils, com inúmeros defeitos, mas o objetivo do post era ressaltar as vantagens de se morar no local de nascimento, do qual se conhece os costumes e no qual se construiu a história pessoal.
O ponto que você descreveu pode ser facilmente comparado à via periférica de Tessalônica, cidade que morei, onde quase todos os dias havia engarrafamentos por acidentes de trânsito, ou ao centro de ruas mais do que caóticas de Athenas, onde pode-se levar 3 horas para chegar ao aeroporto, ou a qualquer rodovia grega, com curvas perigosas e uma igrejinha a cada quase todo quilômetro marcando o local de uma morte por acidente.
Eu morei fora do Brasil e, justamente por isso, amo e defendo esse país pois somente se perdendo algo é que se dá o devido valor a ele. A Europa, com certeza, não tem o subdesenvolvimento, mas conta com outros fatores que dificultam a vida dos seus habitantes como extremos de temperatura, 43°C no verão e -8°C no inverno, com desastres naturais como terremotos, com cidades extremamente isoladas em cadeias montanhosas e, muito comumente, com altas taxas de depressão e suicídio justamente por causa da vida facilitada e sem estímulos.
Agradeço muito a sua participação e respeito a sua opinião de que nosso país precisa aprender muitas coisas, mas gostaria de salientar que o país perfeito não existe e que o brasileiro deveria, antes de tudo, tornar-se um pouco mais patriota, copiando o nacionalismo europeu e, dando como exemplo a Grécia, onde morei, defender as qualidades do seu país. Mesmo devastados pela crise econômica, qualquer grego responderia que viver na Grécia é mais gratificante do que qualquer outro lugar e, ainda que obrigados a deixar sua terra Natal, como o caso do meu marido, pelas dificuldades financeiras, o sonho de voltar permanece para sempre!"
Beijo
Adri
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