sexta-feira, março 03, 2006

75 -Organizar papéis...



O calor continua nesta cidade, acho que uns 39 graus à sombra.
Antes mesmo de fazer um balanço sobre o que cumpri da lista de objetivos no mês anterior, ontém foi mais um dia de rasgar e jogar papéis na lixeira.
Após o carnaval fico com áquela sensação que o ano letivo começa pra valer, e fui fazer a limpeza geral nos materiais escolares. São tantos papéis escritos que não posso deixar de dar àquela última rápida leitura ainda que só nos títulos. Acabo sempre com pena de jogar fora uma folha que traz tão linda poesia, um texto gostoso de ler, uma mensagem bacana para reler sempre!!
Lembrei que agora tenho blog, melhor colocá-los aqui, assim, não somente eu poderei ler quantas vezes quiser mas, também compartilhar com você.
Aos poucos, quando me faltarem palavras ou inspiração, aqui trarei uma dessas folhas que não consegui rasgá-la. Hoje escolhi o texto "O Amor e o Tempo", a autoria não consta e eu não lembro, apesar de ser bem conhecido, foi parte da aula da professora de Português/Literatura Mariza Carmo em 2005.
"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.
Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera!
São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito.
São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas.
Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo.
Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas.
Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?!
O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos."
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Constata-se no texto características barrocas, como o jogo de idéias através de figuras de linguagem e a organização sintática complexa; fragilidade do sentimento amoroso frente à ação do tempo; egocentrismo, hipersensibilidade, melancolia, angústica, pessimismo e desespero.

4 comentários:

Cláudia Adriane disse...

Que texto lindo... Estou sem palavras. Beijos!

Claudia disse...

Wilma, hoje resolvi dar uma geral nos papeis aqui em casa tb. Rasguei tanto papel, todo material das aulas do ultimo periodo foi pro lixo. Fico impressionada como a gente junta tanta tralha em tao pouco tempo. O texto é linnndo!

Anônimo disse...

Vim para agradecer sua visita em meu blog e me deparo com um cantinho assim todo especial.Concordo com vc,fica-nos sempre a sensação de que o ano só começa depois do carnaval e ao contráriod e ti eu ainda não organizei meus papéis,e minah estante está abarrotada de coisas que já deveriam estar no lixo há séculos...bem,gostei daqui e vou voltar.E quando à vc será sempre bem vinda!Abraço!

Anônimo disse...

O texto é memso muito lindo, Wilma. Boa semana pra você!