domingo, outubro 23, 2011

Trocar a cidade grande pela pequena. Sim ou Não?


Fotos de Aveiro/Portugal
Comprei uma revista porque estava justamente querendo ler algo leve enquanto atravessava da Pça XV a Niterói, e eis que me deparo exatamente com esses dois textos de duas jornalistas que optaram em deixar a cidade grande. Veja os pontos de vista opostos de cada uma delas:
SIM
Tornei-me uma camponesa. Depois de décadas em que pensei apenas conseguir sobreviver numa grande cidade - o resto era paisagem!! apaixonei-me por uma pequena aldeia no Alentejo. Não me transformei noutra pessoa. Só as pessoas que me conhecem há muito tempo conseguem ver algumas mudanças. Não deixei crescer o buço. Não sou menos sofisticada nem estou mais básica -  Apenas mais feliz!! A minha relação com a Natureza é mais intensa e meu olhar está mais atento às pequenas maravilhas que ela nos proporciona. Gosto de poder observar todos os dias as mudanças nos prados e nos bosques que existem perto da minha casa. Gosto de poder respirar profundamente o ar puro. Vejo os alimentos sob uma perspectiva diferente, agora que observo de perto o gado que pasta nos prados e cuja carne vou comprar no talho da aldeia. Além disso, as estações do ano são diferentes, mesmo o "mau tempo" é emocionante. É verdade que tenho uma vida muito menos agitada. Aprendi a não me enervar, na mercearia da aldeia, quando  a dona -  velhota simpática mas tagarela -, não pára de falar sobre os netos. Faz parte da vida social dos meios pequenos, tal como as pessoas cumprimentarem-se quando se cruzam na rua. Gosto disso, parece que somos todos da mesma família. Na cidade, contudo, evito fazê-lo. As pessoas podem pensar que sou do campo!!

NÃO
Quando no fim do último Verão me mudei da grande cidade para uma zona rural situada junto à costa, ainda as árvores não tinham começado a perder as folhas. Os barcos à vela ainda navegavam. E a casa e o jardim todos os fins-de-semana estavam cheios de amigos. Maravilhoso. Depois veio o Outono. E com ele a ausência dos barcos. E o nevoeiro. E o silêncio. Os meus belos sapatos de salto alto não vêem a luz do dia há meses. No meu guarda-roupa amontoam-se calças de fato-de-treino. Só tenho notícias dos meus amigos pelo telefone. Depois de mais um fim-de-semana de terrível tranquilidade, apeteceu-me sair. Descalçar as botas Ugg e ir a qualquer sítio civilizado. Eu e meu marido discutimos o assunto mas às 21hs desistimos. O único bar da terra só abre no Verão, claro!! E, mesmo durante o dia, ir às compras não é alternativa - a loja mais "interessante" da vila fechou ao público. Uma réstia de esperança: dois casais de vizinhos. Com menos de 60 anos com filhos pequenos e, sim, também vieram da cidade grande!  Antes de poder dar azo à minha alegria, a luz ao fundo do túnel apagou-se. Antes que eu os conhecesse , os meus salvadores voltaram para a cidade. Abandoram-me porque tinham tanta vontade de ficar a olhar para o nevoeiro como de se reformar. Eu? Mesmo sendo Primavera, continuo à espera que um raio de sol me ilumine.
Copiado da Revista Elle-Elleecodebate-2011)
Nem preciso dizer que eu me identifiquei com o SIM, eu troquei a cidade grande pela cidade pequena e até hoje não me arrependi, aliás devo dizer que hoje estranho se tiver que passar muito tempo numa cidade grande, a quantidade de pessoas, de carros, de barulho, a correria, não me faz querer  ficar por muito tempo. Mas acredito que uma mudança  como essa não é mesmo para qualquer pessoa, não é todo mundo que consegue ter uma rotina menos acelerada, com menos gente ao redor, com menos solicitação.

4 comentários:

Carla (Arroz de Minhoca) disse...

Eu adoro os finais de semana para "ficar em casa", "curtir o ninho", cozinhar e aconchegar-me em mim própria... com certeza, sou uma dos "SIM"
Vive bem no campo, ou interior, quem vive bem consigo e suas pequenas coisas... hj, meu campo é meu apto, que até horta tem na varanda :)

Beth/Lilás disse...

Vivi!
Pois eu fiz o caminho contrário, tive que trocar o interior por uma cidade média, não digo grande, pois Nikiti, não é lá essas coisas, entretanto tem tudo de ruim que o Rio tem e ando estressadinha quando fico aqui por um longo período.
Choro de saudade do meu canto na montanha, mas ainda bem que não vendemos a casa, assim podemos sempre nos esconder em nossa bat-caverna nos finais de semana.
Eu digo com sinceridade, meu sonho é voltar a morar em lugar tranquilo e próximo a um grande centro, afinal de vez em quando é bom andar num shopping cheio de opções ou teatros, etc.
Muito boa a reportagem!
beijinhos cariocas

Unknown disse...

Eu sou do Não...rsss

Vivo numa média cidade que tem se tornado grande...e ainda estou muito feliz por aqui, pois BH ainda conserva um certo ar de roça, mas que me parece vamos perdendo aos poucos...mas mesmo assim, eu ainda sou uma habitante urbana, acho que jamais me acostumaria a viver no campo.

Abraço,
Renata

Wilma disse...

Hummm parece que está equilibrado o S e N, mas o que me fez sair da cidade maior pra menor foi justamente a quantidade de opções q tinha de cinema, praias, florestas, lagoa, shoppings, teatros, lojas, supermercados...mas no fim, só acabava indo aos mesmos lugares e me estressando mais do que me divertindo: o caos do trânsito,o estacionamento, a violência, a multidão onde quer que se ia,aff!! Hoje só vou de vez em quando disposta a enfrentar tudo isso!!! Que jeito?