quarta-feira, outubro 22, 2008

Anjo de Guarda e de Papel






Na minha estante mora um moço velho com
cara de rapaz pela alegria que traz;

Com cara de menino pela novidade tenaz;

Com cara de velho avô pela qualidade da Paz.

Mora lá. Elegante. Solene.

Ainda que poderoso pela fartura de folhas

Todo grande, gigante, recheado de sentidos

Ainda que pareça na forma até grosso
é um poço generoso.

Parece um vigia, uma babá, um tutor.

Parece segurança, certeza, confirmação.

Valente matador de dúvidas, veste a beca da humildade
e nem se incomoda em ser só precisão.

Fica lá. Se doa para a poeira que vem tecer com
o sol a teia do tempo sobre a firme encadernadura.

Assiste aos lapsos da memória escora a literatura no
ritual da decodificação.

Mas nessa muda eloquência, nessa silenciosa falação
me protege e me rege.

Amigo calado, consistente, combinado.

(Tem sempre uma palavra pra dar)

Não me falta, não se vende...

É meu instrutor, protetor e anjo da guarda.

É nele que penso quando vejo um guarda e tenho medo...

Eu queria que a polícia daqui tevisse esse mesmo
afetuoso itinerário;

Fiel companheiro do cidadão como é meu dicionário.

(Inverno de 1991 escreveu este poema a poeta Elisa Lucinda no


livro O Semelhante)

2 comentários:

http://graceolsson.com/blog disse...

QUE OS ANJOS DO SENHOR TE PROTEJAM SEMPRE, QUERIDA.
BJS E DIAS FELIZES

Beth/Lilás disse...

Ah, e ontem foi o dia do livro, nem lembrei!
bjs cariocas