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FORMA E CONTEÚDO
O Que Esperamos Quando Vamos ao Cinema?Que o filme seja bom, nos divirta, nos ensine, nos comova. Esperamos uma experiência estética, ou seja, um conjunto de sensações com significado. Queremos sentir mas não basta, queremos também entender.
O prazer com um filme é algo que surge dessa combinação entre sensibilidade e entendimento. Sem este último não existe prazer.
Após a projeção do filme, costumamos usar o veredicto espontâneo “gostei” ou “não gostei” para definir se o filme é bom ou não. Se vimos o filme acompanhados, pode até surgir alguma boa discussão em torno das razões e emoções de tais juízos, mas em geral cada um se apega ao próprio prazer sentido para justificar seu parecer.
É claro que julgamentos, sejam de críticos, ou sejam de pessoas em geral, não fazem um filme melhor ou pior. Mas precisamos disso na tentativa de entender e articular o que vimos. A experiência estética é ainda mais que isso, é o efeito que coisas ou pessoas têm sobre nós.
O prazer com um filme é algo que surge dessa combinação entre sensibilidade e entendimento. Sem este último não existe prazer.
Após a projeção do filme, costumamos usar o veredicto espontâneo “gostei” ou “não gostei” para definir se o filme é bom ou não. Se vimos o filme acompanhados, pode até surgir alguma boa discussão em torno das razões e emoções de tais juízos, mas em geral cada um se apega ao próprio prazer sentido para justificar seu parecer.
É claro que julgamentos, sejam de críticos, ou sejam de pessoas em geral, não fazem um filme melhor ou pior. Mas precisamos disso na tentativa de entender e articular o que vimos. A experiência estética é ainda mais que isso, é o efeito que coisas ou pessoas têm sobre nós.
O Que Nos AgradaÉ curioso como em nosso desejo de julgamento se alica também às relações que temos com os outros. Raramente alguém deseja uma experiência que não seja prazerosa com uma pessoa, seja um amigo, seja um colega, seja um amor.
Queremos ser convencido a todo momento de que aquela pessoa com quem partilhamos momentos é alguém que nos agrada. Desse saber banal é que as pessoas tiraram a idéia de que é preciso agradar para serem queridas.
Se sentimos prazer com alguém, somos convencidos de seu significado, de sua importância. Assim também queremos ser vistos. O bom arranjo entre forma e conteúdo, entre aparência física e discurso, os faz ver a pessoa como uma obra de arte, um filme bem feito, denso e curioso a passar diante de nossos olhos.
A SuperficialidadeTanto num filme de terror ou numa comédia banal quanto numa película mais elaborada intelectualmente, o que queremos é que algo nos dê prazer. Do mesmo modo, queremos uma pessoa que nos agrade. O que não ponderamos é que arte nem sempre agrada. Muitas vezes provoca, como nas obras contemporâneas , uma abertura ao insuportável. Por isso, tantas exigem de nós que nos tornemos intérpretes atentos, sob pena de fugirmos das experiências propostas. Do mesmo modo, as pessoas são bem mais complexas do que o que delas podemos saber. Por isso muitos preferem fugir dos que conhecem, mas também dos que não conhecem.
Quem está disposto a realmente respeitar a novidade aberta pelo outro?
Em geral as pessoas só querem das outras a superfície. Por outro lado, quando a cultura da superficialidade vira regra, queixam-se de que não existe nada mais sob a máscara. Mudar de percepção seria como aprender a assistir filmes intelectualmente mais complexos. Ou a ler livros mais exigentes.
O Prazer de Não PensarA idéia de beleza sempre dependeu do ideal do prazer. Para muitos não há como ver sentido longe dele. O filósofo alemão Kant falava da beleza da natureza como aquilo que agrada sem que precisemos pensar por que agrada. Coisas sem significado não podem agradar. É claro que ele não entendia de arte. Belas eram as mulheres, as paisagens tranqüilas com riacho e flores.
Pensava, porém, no encanto estranho que sentimos com as tempestades de raio ou a visão do imenso deserto, do mar aberto. Explicou isso pelo sentimento do sublime, pelo qual entendia a mistura de prazer com desprazer em que o significado da coisa vista jamais era plenamente alcançado.
O sentimento do sublime, mais que a sensação de algo agradável, provocaria o respeito. Por isso justificava que a natureza dos homens era nobre, enquanto a das mulheres era bela. Aqueles deviam motivar o respeito, enquanto estas apenas o agrado.
Julgar e emitir juízos sobre as coisas e as pessoas é algo muito delicado. Infelizmente vivemos uma cultura da leviandade em relação às nossas interpretações. E tudo isso porque não somos bons leitores do que vemos e do que ouvimos.
Certamente somos também desatentos a nossas próprias opiniões. Contentamo-nos em gostar e desgostar como se isso fosse a base legítima de uma relação na ordem pública, em que se deveria exigir argumentos cada vez que alguém emitisse uma opinião. Teríamos menos injustiças se fôssemos mais analíticos, seríamos mais sinceros se fôssemos menos ignorantes. Interpretamos a vida com base em nossos “pré-conceitos”, raramente questionando os reais motivos que nos impelem a dizer isso ou aquilo de algo ou de uma pessoa. Bastamo-nos no agrado e no prazer de manter aparências. Raramente damos atenção ao que realmente ocorre à nossa volta.
As obras de arte hoje servem para nos ensinar a atenção a nossa própria interpretação. Nesse sentido, ela nos ensinam a cuidar do campo das relações que estabelecemos com as coisas, as obras de arte e as pessoas. Elas exigem que nos tornemos mais atentos.
Exigem de nós inteligência, ou seja, ânimo par pensar e duvidar do que vemos.
Daqui: Vida Simples, Ed Abril, nov/2007, Ed.59, pág. 52
Pensava, porém, no encanto estranho que sentimos com as tempestades de raio ou a visão do imenso deserto, do mar aberto. Explicou isso pelo sentimento do sublime, pelo qual entendia a mistura de prazer com desprazer em que o significado da coisa vista jamais era plenamente alcançado.
O sentimento do sublime, mais que a sensação de algo agradável, provocaria o respeito. Por isso justificava que a natureza dos homens era nobre, enquanto a das mulheres era bela. Aqueles deviam motivar o respeito, enquanto estas apenas o agrado.
Julgar e emitir juízos sobre as coisas e as pessoas é algo muito delicado. Infelizmente vivemos uma cultura da leviandade em relação às nossas interpretações. E tudo isso porque não somos bons leitores do que vemos e do que ouvimos.
Certamente somos também desatentos a nossas próprias opiniões. Contentamo-nos em gostar e desgostar como se isso fosse a base legítima de uma relação na ordem pública, em que se deveria exigir argumentos cada vez que alguém emitisse uma opinião. Teríamos menos injustiças se fôssemos mais analíticos, seríamos mais sinceros se fôssemos menos ignorantes. Interpretamos a vida com base em nossos “pré-conceitos”, raramente questionando os reais motivos que nos impelem a dizer isso ou aquilo de algo ou de uma pessoa. Bastamo-nos no agrado e no prazer de manter aparências. Raramente damos atenção ao que realmente ocorre à nossa volta.
As obras de arte hoje servem para nos ensinar a atenção a nossa própria interpretação. Nesse sentido, ela nos ensinam a cuidar do campo das relações que estabelecemos com as coisas, as obras de arte e as pessoas. Elas exigem que nos tornemos mais atentos.
Exigem de nós inteligência, ou seja, ânimo par pensar e duvidar do que vemos.
Daqui: Vida Simples, Ed Abril, nov/2007, Ed.59, pág. 52
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