Fotos de Aveiro/Portugal
Comprei uma revista porque estava justamente querendo ler algo leve enquanto atravessava da Pça XV a Niterói, e eis que me deparo exatamente com esses dois textos de duas jornalistas que optaram em deixar a cidade grande. Veja os pontos de vista opostos de cada uma delas:
SIM
Tornei-me uma camponesa. Depois de décadas em que pensei apenas conseguir sobreviver numa grande cidade - o resto era paisagem!! apaixonei-me por uma pequena aldeia no Alentejo. Não me transformei noutra pessoa. Só as pessoas que me conhecem há muito tempo conseguem ver algumas mudanças. Não deixei crescer o buço. Não sou menos sofisticada nem estou mais básica - Apenas mais feliz!! A minha relação com a Natureza é mais intensa e meu olhar está mais atento às pequenas maravilhas que ela nos proporciona. Gosto de poder observar todos os dias as mudanças nos prados e nos bosques que existem perto da minha casa. Gosto de poder respirar profundamente o ar puro. Vejo os alimentos sob uma perspectiva diferente, agora que observo de perto o gado que pasta nos prados e cuja carne vou comprar no talho da aldeia. Além disso, as estações do ano são diferentes, mesmo o "mau tempo" é emocionante. É verdade que tenho uma vida muito menos agitada. Aprendi a não me enervar, na mercearia da aldeia, quando a dona - velhota simpática mas tagarela -, não pára de falar sobre os netos. Faz parte da vida social dos meios pequenos, tal como as pessoas cumprimentarem-se quando se cruzam na rua. Gosto disso, parece que somos todos da mesma família. Na cidade, contudo, evito fazê-lo. As pessoas podem pensar que sou do campo!!
NÃO
Quando no fim do último Verão me mudei da grande cidade para uma zona rural situada junto à costa, ainda as árvores não tinham começado a perder as folhas. Os barcos à vela ainda navegavam. E a casa e o jardim todos os fins-de-semana estavam cheios de amigos. Maravilhoso. Depois veio o Outono. E com ele a ausência dos barcos. E o nevoeiro. E o silêncio. Os meus belos sapatos de salto alto não vêem a luz do dia há meses. No meu guarda-roupa amontoam-se calças de fato-de-treino. Só tenho notícias dos meus amigos pelo telefone. Depois de mais um fim-de-semana de terrível tranquilidade, apeteceu-me sair. Descalçar as botas Ugg e ir a qualquer sítio civilizado. Eu e meu marido discutimos o assunto mas às 21hs desistimos. O único bar da terra só abre no Verão, claro!! E, mesmo durante o dia, ir às compras não é alternativa - a loja mais "interessante" da vila fechou ao público. Uma réstia de esperança: dois casais de vizinhos. Com menos de 60 anos com filhos pequenos e, sim, também vieram da cidade grande! Antes de poder dar azo à minha alegria, a luz ao fundo do túnel apagou-se. Antes que eu os conhecesse , os meus salvadores voltaram para a cidade. Abandoram-me porque tinham tanta vontade de ficar a olhar para o nevoeiro como de se reformar. Eu? Mesmo sendo Primavera, continuo à espera que um raio de sol me ilumine.
Copiado da Revista Elle-Elleecodebate-2011)
Nem preciso dizer que eu me identifiquei com o SIM, eu troquei a cidade grande pela cidade pequena e até hoje não me arrependi, aliás devo dizer que hoje estranho se tiver que passar muito tempo numa cidade grande, a quantidade de pessoas, de carros, de barulho, a correria, não me faz querer ficar por muito tempo. Mas acredito que uma mudança como essa não é mesmo para qualquer pessoa, não é todo mundo que consegue ter uma rotina menos acelerada, com menos gente ao redor, com menos solicitação.























